sábado, 4 de junho de 2011

Fichamento nº: 06


6º Fichamento de Genética


Innovations Implant Journal

versão ISSN 1984-5960

Innov. Implant. J., Biomater. Esthet. (Online) vol.5 no.2 São Paulo maio/ago. 2010

Diretrizes para a utilização adjunta da antibioticoterapia sistêmica no tratamento das doenças periodontais.
 Adriana Oliveira Biscarde; Lyla Prates de Andrade; Sandro Bittencourt; Érica Del Peloso Ribeiro.
 
“O tratamento das doenças periodontais é direcionado para redução ou eliminação de periodontopatógenos por meio da instrumentação periodontal associado a um efetivo controle do biofilme dental. A terapia não cirúrgica é efetiva em resolver a maioria das infecções periodontais. Contudo, em algumas situações clínicas específicas, as técnicas de raspagem e alisamento radicular são ineficazes em estabilizar o processo saúde-doença. Nessas situações as terapias adjuntas podem ser indicadas com a finalidade de potencializar os efeitos da instrumentação mecânica. Vários antibióticos, isolados ou em associação, têm sido usados com essa finalidade, mas as evidências mais fortes favorecem a associação de amoxicilina e metronidazol no tratamento das doenças periodontais. Entretanto, questões importantes sobre o seu uso como para quais casos indicar, o tempo e o momento de administração e a dosagem ideal permanecem controversas. A falta de respostas para esses questionamentos tem gerado dúvidas quanto a sua utilização na prática clínica diária. Além do mais, devido aos efeitos adversos que podem advir com o uso dos antibióticos, a decisão pelo seu emprego deve ser criteriosa e baseada em evidências científicas. Só assim os benefícios clínicos almejados podem sobrepujar os riscos.”

Fichamento nº: 05

5º Fichamento de Genética
Influência de fatores genéticos na etiopatogênese da doença periodontal
Yeon Jung KIMa, Aline Cavalcanti VIANAa, Raquel Mantuaneli SCAREL-CAMINAGAba
Pós-Graduanda em Periodontia, Nível Mestrado, Faculdade de Odontologia, UNESP, 14801-903 Araraquara - SP, Brasil
Departamento de Morfologia, Faculdade de Odontologia, UNESP, 14801-903 Araraquara - SP, Brasil.
“A doença periodontal (DP) acomete indivíduos em todo o mundo. Estima-se que a forma severa da doença atinja cerca de 10% dos adultos. No Brasil, em 1986, um levantamento epidemiológico feito pelo Ministério da Saúde em capitais de 16 Estados revelou que 7,4% dos indivíduos com 50 a 59 anos tinham um ou mais sítios com profundidade à sondagem ≥5,5 mm. Uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul revelou que aproximadamente 65% da população estudada apresentavam dentes com profundidade à sondagem ≥5,5 mm2.Nos últimos anos tem sido investigada a influência da saúde bucal no estado de saúde geral do indivíduo. Um crescente corpo de evidências científicas sugere associação entre infecção oral e doenças sistêmicas como aterosclero-176 Kim et al. Revista de Odontologia da UNESP se, distúrbios cardiovasculares, artrite, diabetes e doenças pulmonares.” (Pág.176)
 “Nesse contexto, a DP tem se mostrado um .problema de saúde pública de grande seriedade.Está bem estabelecida que a DP crônica é uma doença infecciosa caracterizada por um processo inflamatório destrutivo que afeta os tecidos de suporte do dente. Clinicamente, podem ser formadas bolsas periodontais, reabsorção do osso alveolar e eventual perda do elemento dental.Histologicamente é caracterizada por acúmulo de células inflamatórias na porção extravascular do tecido conjuntivo gengival.” (Pág.176)
“Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados Bireme e Pubmed, utilizando os termos “Periodontite, Genética e Polimorfismos”. Foram encontradas 300 referências na Bireme (89% no MEDLINE) e 1.281 referências no PubMed (incluindo genética de periodontopatógenos), dos quais 126 referências focadas em polimorfismos genéticos humanos, 14 revisões de literatura e 13 trabalhos que discutem testes genéticos para identificar suscetibilidade à periodontite. Entre estes, foram selecionados artigos considerados como os que melhor apresentavam resultados positivos ou negativos da influência genética na DP, além de algumas revisões de literatura publicadas por grupos de pesquisa renomados internacionalmente.” (Pág. 176)
“Uma boa maneira de avaliar os aspectos genéticos da DP é por meio de estudos realizados com gêmeos. Geralmente é feita uma comparação entre gêmeos monozigóticos (MZ) e dizigóticos (DZ), pela qual é avaliado o grau de concordância ou discordância de uma ou mais características.Ao analisar fatores genéticos, espera-se que as taxas de concordância entre gêmeos MZ sejam maiores do que em gêmeos DZ. No entanto, quando são avaliados fatores ambientais, são esperadas taxas semelhantes de concordância entre os dois grupos de gêmeos.Em um estudo realizado com 110 gêmeos adultos, foi avaliada a condição periodontal pela profundidade de sondagem e pelos nível de inserção, índice gengival e índice de placa. A população estudada consistiu de 63 pares de gêmeos MZ (criados juntos), 33 pares de gêmeos DZ (mesmo sexo e criados juntos) e 14 pares de gêmeos MZ (criados separadamente). Foi observado que a correlação da DP entre os gêmeos MZ criados juntos foi significativamente maior do que a encontrada nos gêmeos DZ. Enfocando a influência e fatores ambientais como o hábito de fumar e o uso de serviço odontológico, outros 117 pares de gêmeos foram estudados (64 MZ e 53 DZ). Estimou-se que a periodontite crônica possui aproximadamente 50% de hereditariedade, mesmo após ajustes para as variáveis comportamentais.” 
“A agregação familiar da periodontite agressiva (PA) motivou a investigação de um possível envolvimento da genética nessa patologia. A presença de PA entre irmãos da mesma família tem sido relatada por diversos estudos. Pesquisadores avaliaram 631 indivíduos pertencentes a diferentes ,famílias, dos quais 106 apresentaram periodontite juvenil localizada, 130 periodontite juvenil generalizada, 254 não eram afetados e 141 indivíduos tinham situação periodontal desconhecida. Foi concluído que o modo mais provável de herança seria o autossômico dominante, tanto em famílias de caucasianos como de afro-americanos.A periodontite crônica também se concentra em famílias, como é sugerido em um estudo que analisou 24 famílias holandesas, nas quais, em cada uma, havia, pelo menos, uma pessoa afetada pela periodontite crônica: além do cônjuge, 1 a 3 filhos. Foi demonstrado que as crianças com menos de 5 anos de idade não foram afetadas pela periodontite. No grupo de 5 a 15 anos, 21% tinham pelo menos uma bolsa ≥5 mm associada à perda de inserção e, no grupo de 10 a 15 anos, esse valor correspondia a 45%20.Embora os resultados obtidos de estudos com famílias sugiram uma forte predisposição genética, os estudos com gêmeos mostram-se mais confiáveis na comprovação da influência da genética na etiopatogênese da DP, pois gêmeos MZ praticamente não apresentavam variabilidade genética entre si. Comparativamente, indivíduos da mesma família têm maior variação genética entre si (considerando genes polimórficos); portanto, o fator genético como variável do estudo não se apresenta tão bem normalizado quanto nos estudos com gêmeos.” (Pág.177)
“Conclui-se, baseado nos estudos com gêmeos e com famílias, que há evidência científica da influência genética na etiopatogênese da DP. No entanto, os mecanismos pelos quais os fatores genéticos podem atuar no início e/ou progressão da DP não foram ainda completamente compreendidos. Acredita-se que, futuramente, conforme progrida o conhecimento de polimorfismos genéticos e suas freqüências em vastas populações de diferentes etnias, as pesquisas que venham a investigar relação entre polimorfismos e doenças terão um grande salto na qualidade e na aplicação dos seus resultados. A identificação de populações mais suscetíveis a determinados tipos de doenças, dado a sua carga genética, poderia nortear políticas de saúde pública, principalmente no que se refere à prevenção. Tomando como exemplo a DP, é importante identificar o maior número possível de polimorfismos genéticos e suas freqüências nas populações em todo o mundo para que se possa atribuir a um determinado polimorfismo, com segurança, uma porcentagem de suscetibilidade ou severidade à doença. Somente no futuro, e baseado no conhecimento das freqüências dos alelos nas populações, é que um determinado polimorfismo poderia ser utilizado como marcador genético da DP. Assim, poderia ser confeccionado um “kit”, talvez adaptado para a população em questão, para detectar indivíduos com genótipo de alto risco para a doença, auxiliando também no prognóstico da DP.” (Pág. 178)

Fichamento nº: 04

4º Fichamento de Genética


Mecanismos patogênicos da doença periodontal associada ao diabetes melito
Faculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA.
Crésio Alves; Juliana Andion; Márcia Brandão; Rafaela Menezes.
Diabetes melitos (DM) é uma doença crônica caracterizada por deficiência parcial ou total na produção de insulina ou po resistência à sua ação. Isso leva à anormalidade nos metabolismos glícidico, protéico e lipídico, que resultam em hiperglicemia, a qual induz múltiplas anormalidades sistêmicas. Estima-se que, em 2010, aproximadamente 221 milhões de pessoas serão portadoras de DM (1).

Além das complicações crônicas, como nefropatia, neuropatia e retinopatia, o DM também está relacionado a complicações bucais. A doença periodontal (DP) é a complicação oral mais importante, sendo considerada a sexta complicação clássica do diabetes (2). Essas doenças apresentam uma associação bidirecional na qual o diabetes favorece o desenvolvimento da doença periodontal e esta, quando não tratada, piora o controle metabólico do diabetes (3). Além do seu efeito deletério sobre a saúde oral e controle glicêmico, vários estudos têm demonstrado associação da doença periodontal com a doença coronariana, outra importante causa de morbidade e mortalidade em diabéticos (4).
Tendo em vista a importância e gravidade desta complicação e as dúvidas relacionadas à sua patogênese, este trabalho tem por objetivo revisar os conhecimentos recentes e atualizar a classe médica sobre a fisiopatologia da doença periodontal associada ao diabetes melito.

O dente pode ser dividido, de forma didática, em uma porção externa denominada coroa e outra interna embebida no processo alveolar, a raiz (5). O osso alveolar, estrutura onde os dentes são alojados, é formado predominantemente por colágeno, sialoproteínas, osteopoetinas e proteoglicanos. A camada mais interna do dente, a polpa, contém os nervos e suprimento vascular. A próxima camada, a dentina, é um tecido mineralizado formado pela extensão dos odontoblastos e tecidos conectivos localizados na dentina. O esmalte é uma camada mineralizada que cobre a coroa. O cemento radicular é a substância que cobre a raiz do dente, sendo constituído por tecido conectivo semelhante ao osso. O ligamento periodontal fixa o dente ao processo alveolar, sendo formado por tecido fibroso, células epiteliais e células mesenquimais indiferenciadas. A gengiva, estrutura que cobre o processo alveolar e parte dos dentes é composta principalmente de colágeno, proteoglicanos, fibronectina, osteonectina e elastina. O espaço entre o dente e o epitélio gengival é denominado de sulco gengival, cuja profundidade é determinada pelo ligamento periodontal. A principal função do periodonto (formado pelo cemento radicular, osso alveolar, gengiva e ligamento periodontal) é apoiar os dentes e suportar as forças de oclusão. 
A doença periodontal é o processo inflamatório que ocorre na gengiva em resposta a antígenos bacterianos da placa dentária que se acumulam ao longo da margem gengival. A placa é um biofilme constituído por bactérias, proteínas salivares e células epiteliais descamadas (5). Sua manifestação inicial é a gengivite, caracterizada por hiperemia, edema, recessão e sangramento gengival. Se não tratada precocemente, ela pode evoluir para periodontite . Uma das primeiras alterações clínicas causadas pela periodontite é a perda de inserção dos tecidos periodontais que suportam e protegem o elemento dental com formação da bolsa gengival. Com a superfície dentária livre do epitélio protetor, ocorre acúmulo de placa bacteriana e destruição dos tecidos pela proliferação de microorganismos patogênicos (6). A doença periodontal grave afeta estruturas mais profundas, causando reabsorção das fibras colágenas do ligamento periodontal, reabsorção do osso alveolar, abscessos, aumento da profundidade das bolsas, maior mobilidade dentária e perda de dentes (7).

Diversos fatores associados ao DM podem influenciar a progressão e agressividade da doença periodontal: tipo de diabetes (mais extensa em diabetes melito tipo 1), idade do paciente (aumento do risco durante e após a puberdade), maior duração da doença e controle metabólico inadequado (3,8).
Uma vez que a microbiota periodontal em pacientes com DM é similar à de não-diabéticos (bactérias gram-negativas anaeróbicas comoActinobacillus, Bacteróides e Porphyromonas) (5), outros fatores, tais como hiperglicemia e anormalidades da resposta imune do hospedeiro frente às infecções bucais, parecem ser os responsáveis pela maior prevalência desta complicação em diabéticos (9,10).
O diabetes melito está relacionado a diversas alterações que podem predispor à doença periodontal. Dentre elas, destacam-se as alterações bioquímicas, como produção de AGES, hiperglicemia intracelular gerando distúrbios nas vias do poliol, alterações na saliva, distúrbios imunológicos, como redução da função dos neutrófilos e aumento da produção de citocinas e mediadores inflamatórios, alterações genéticas que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença periodontal e lesões teciduais, como comprometimento do metabolismo do colágeno, aumento da permeabilidade vascular e espessamento da membrana basal capilar.
Os AGEs parecem ser um dos principais responsáveis pelas alterações que levam à doença periodontal, pois estão relacionados à diminuição da eficiência dos neutrófilos, aumento da destruição dos tecidos conjuntivo e ósseo, danos vasculares e produção exagerada de mediadores inflamatórios.

Fichamento nº: 03

3º Fichamento de Genética


Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

Print version ISSN 1516-8484

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.23 no.1 São José do Rio Preto Jan./Apr. 2001

 

Genotipagem do locus ABO (9q34.1) em doadores de sangue da região noroeste do Estado de São Paulo
Luiz C. Mattos,Fábio E. Sanchez,Juliana R. Cintra,Andréa B.C.F. Salles,Cláudia R,Bonini-Domingos e Haroldo W. Moreira.

O maior sistema de aloantígenos expressos nos eritrócitos e em outros tecidos humanos constitui-se de quatro fenótipos definidos pelas combinações de dois antígenos carboidratos A e B e de dois anticorpos plasmáticos anti-A e anti-B. Os indivíduos com os fenótipos A, B e AB expressam glicosiltransferases específicas que convertem o antígeno H em A ou B, mas aqueles com fenótipo O são incapazes de modificar a estrutura desse antígeno (1).
As glicosiltransferases que sintetizam os antígenos A e B são codificadas pelos genes que ocupam o locus ABO, os quais são herdados pelos princípios mendelianos (2) . O modelo com três genes A, B e O proposto para explicar seu modo de herança foi confirmado com a clonagem e o seqüenciamento do locus ABO no início dos anos noventa e a partir desses conhecimentos, as diferenças na seqüência de nucleotídeos dos genes tornaram-se conhecidas e passíveis de serem utilizadas na genotipagem de populações (3, 4).
Os genes A e B diferem em sete substituições de nucleotídeos localizadas nas posições 297, 526, 657, 703, 796, 803 e 930 e o gene O1 é idêntico ao gene A, exceto pela deleção de uma base nitrogenada guanina na posição 261 do exon 6 (4). Essas diferenças contribuem para a troca de quatro aminoácidos nas posições 176, 235, 266 e 268 das transferases A e B e portanto, determinam suas especificidades (5).
Como as mutações criam ou abolem sítios de restrição, diferentes enzimas podem ser usadas na identificação desses genes e na definição dos vários genótipos do locus ABO. A deleção G261 cria um sítio de restrição para a enzima Kpn I, que permite diferenciar o gene O1 dos genes A e B; a substituição G703A cria outro sítio de clivagem para a enzima Alu I, diferenciando o gene B dos genes O1 eA e o gene A, por sua vez, pode ser identificado pelos sítios de restrição com as enzimas BssH II e Hpa II em torno das posições 526 e 703, respectivamente (3, 4).
Diferentes estudos identificaram, com base nessas alterações nucleotídicas, os genótipos ABO em materiais biológicos de interesse médico-legal e em sangue periférico, tendo sido possível a classificação das amostras analisadas em AA, AO, BB, BO, AB e OO (6,7,8,9, 10).
A descrição de outros genes O revelou que o polimorfismo do locus ABO não estava restrito apenas aos genes A,B e O. O gene O2, sem a deleção G261, mas com as mesmas seqüências de nucleotídeos do gene B na posição 526 e do gene A nas posições 703, 796 e 803, foi encontrado em europeus com freqüência em torno de 3,7% (10, 11, 12). O gene O1v, embora apresente a deleção G261, difere do gene O1 em sete nucleotídeos localizados nos exon 3, 4, 5, 6 e 7 e pode ser facilmente diferenciado com as enzimas BstU I, Kpn I, Mbo I e Dde I que reconhecem sítios de restrição nas posições 188, 261, 646 e 771 (13).
O objetivo deste trabalho foi verificar a distribuição dos genótipos ABO e estimar as freqüências relativas dos genes mais comuns em uma amostra da população brasileira oriunda região noroeste do Estado de São Paulo, Brasil.
 Os fenótipos eritrocitários do sistema ABO foram identificados por métodos de hemaglutinação padronizados em tubos (14), sendo o DNA genômico isolado dos leucócitos do sangue periférico por método salino (15).
Nosso protocolo de genotipagem consistiu de quatro reações de PCR, sendo que para a identificação dos genes A,B, O1 e O2 foram realizadas três amplificações com os pares de primers fy-46/fy-57 para a PCR 1, fy-43/fy-31 para a PCR 2 e fy-47/fy-29 para a PCR 3, enquanto os genes O1 e O1v foram diferenciados com os pares deprimers fy-47/fy-31 na PCR 4.
 objetivo deste estudo foi investigar a distribuição do polimorfismo do locus ABO numa amostra da população brasileira, constituída por doadores de sangue da região noroeste do Estado de São Paulo. Os fenótipos eritrocitários ABO dos 324 doadores de sangue foram determinados por métodos sorológicos de rotina e nenhum subgrupo raro foi encontrado.

Fichamento nº: 02

2º Fichamento de Genetica

Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

Print version ISSN 1516-8484

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 no.4 São José do Rio Preto  2003


Avaliação de Hb A2 e Hb F em doadores de sangue de região malarígena da Amazônia Oriental brasileira por HPLC.
                                                         Wanessa C. Souza; Felipe R. Torres; Ana R. Salvador; Juvanete A. Távora; Ricardo L. D. Machado; Cláudia R. Bonini-Domingos.
 Várias mutações genéticas têm sido descritas e sabe-se que muitas delas podem causar severas conseqüências no metabolismo dos seres humanos e, principalmente em populações formadas a partir de uma grande taxa de miscigenação.
Em muitas desordens das células vermelhas, incluindo as talassemias e variantes de hemoglobina, foram associados fatores relacionados à proteção de infecções parasitárias, como a malária, doença que chega a matar quase dois milhões de pessoas por ano em todo o mundo e no Brasil, com 99% dos casos concentrando-se na região Amazônica. Dessa forma, muitas pesquisas são desenvolvidas com o intuito de elucidar esses mecanismos.Alguns estudos indicam que o gene da talassemia pode conferir resistência contra a malária.Tanto células vermelhas normais quanto anormais são suscetíveis à infecção pelo Plasmodium falciparum, porém alguns autores observaram que a multiplicação parasitária pode ser significantemente reduzida em populações de células vermelhas talassêmicas. A hemoglobina C (Hb C), uma das variantes mais comuns, possui grande incidência no oeste da África que é coincidentemente uma região hiperendêmica de malária. O efeito protetor da Hb C ainda é desconhecido, porém já se sabe que o gene pode agir como um importante fator de seleção.Recentemente, Fairhurst et al demostraram que algumas células infectadas pelo Plasmodium falciparum e homozigotas para a Hb C desenvolvem marcadores na superfície do eritrócito, afetando de alguma forma o desenvolvimento do antígeno, a ponto de comprometer o crescimento do parasita dentro da célula, o que conduziria à proteção contra a malária.
Em regiões malarígenas da África, observou-se resistência à infecção pelo Plasmodium em crianças até os seis meses de vida, quando a hemoglobina fetal (Hb F) encontra-se com valores aumentados. Pesquisas realizadas na região de São José do Rio Preto relatam valores aumentados de Hb F em doadores de sangue. Outros trabalhos indicam que valores aumentados de hemoglobina A2 (Hb A2) e Hb F podem ser encontrados em portadores de Doença de Chagas e doadores de sangue com teste de "Machado & Guerreiro" positivo.
O presente trabalho teve como objetivo principal avaliar a concentração de Hb A2 e Hb F em doadores de sangue provenientes de região malarígena do Brasil. Foram utilizadas amostras de 45 doadores de sangue do Hemocentro de Macapá-AP, de sexo, etnia e faixa etária variáveis, coletadas por função intravenosa e acondicionadas em tubos com EDTA, após consentimento informado. Para a análise, utilizou-se a cromatografia líquida de alta pressão (HPLC) de troca iônica pelo Sistema VARIANT (Bio-Rad) com o uso do kit "b Thalassemia Short",que fornece dados quantitativos da Hb A2 e Hb F. A HPLC apresenta sensibilidade e rapidez para a identificação das frações de Hb com quantificação e resultados precisos. Fornece também dados qualitativos das hemoglobinas variantes, mesmo que estas estejam presentes em pequenas quantidades, permitindo o diagnóstico de diferentes hemoglobinopatias.
A média de Hb A2 observada nas amostras analisadas, foi de 2,7%, e os valores mínimo e máximo, 2,3% e 3,1%, respectivamente. Não foi observado para este parâmetro variação dos valores de normalidade esperados para a população brasileira. Para a Hb F, a média observada foi de 0,8%, e os valores mínimo e máximo, de 0,0% e 3,3%. Valores percentuais acima da faixa de normalidade foram observados em 14 (33,3%) das amostras analisadas.

Fichamento nº: 01

1º Fichamento de Genética.

Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia
Print version ISSN 1516-8484.
Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.26 no.1 São José do Rio Preto Jan./Mar. 2004

Identificação de variantes de hemoglobina em doadores de sangue.
Ana C. Bonini-Domingos; Lígia M. S. Viana-Baracioli; Claudia R. Bonini-Domingos.

As hemoglobinopatias são patologias decorrentes da produção de uma molécula com estrutura anormal ou pela síntese insuficiente de globina normal. Constituem um grupo heterogêneo de distúrbios com padrão de herança recessivo, que incluem as talassemias e as variantes de hemoglobinas. Os tipos mais freqüentes de talassemia em nossa população são as alfa e beta, na forma heterozigótica. Entre as variantes de hemoglobinas, cerca de 800 são conhecidas, sendo mais comumente encontradas as Hb S e Hb C. São as doenças genéticas mais comuns e afetam a população brasileira com freqüências variáveis, refletindo a sua característica de formação étnica.A Organização Mundial de Saúde estima que 5% da população mundial seja portadora de algum tipo de anemia hereditária.
De acordo com a portaria RDC 343, de 13 de dezembro de 2002, "todo sangue a ser coletado, processado e transfundido, deve apresentar boa qualidade, não podendo ser, portanto, veículo de propagação de patologias". Esta portaria recomenda também que seja realizada a detecção de Hb S em doadores de sangue. O laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas – LHGDH do Ibilce/Unesp, em parceria com o Hemocentro de São José do Rio Preto, SP, desenvolve estudos de hemoglobinas (Hb) anormais em doadores de sangue, visando a melhoria da qualidade do sangue a ser transfundido.
Com o objetivo de caracterizar as isoformas de hemoglobinas com migração eletroforética semelhante à Hb S em doadores de sangue, foram analisadas amostras de candidatos à doação, provenientes de São José do Rio Preto e região, colhidas por punção venosa, com EDTA como anticoagulante, de ambos os sexos e etnia variada, após consentimento informado, no Hemocentro de São José do Rio Preto-SP.
Inicialmente, foram triadas no Hemocentro as formas variantes de hemoglobinas por eletroforese pH alcalino, e aquelas que apresentaram alguma alteração no traçado eletroforético foram enviadas para o LHGDH para estudo completo de hemoglobinopatias. Os procedimentos de análise incluíram testes de triagem tais como: Resistência osmótica em solução de NaCl a 0,36%, para verificar a possível herança de talassemias; Morfologia eritrocitária,que avalia a forma, o tamanho e o conteúdo de hemoglobinas dos eritrócitos, visando à identificação de achados laboratoriais característicos de hemoglobinas anormais; Eletroforese em acetato de celulose pH alcalino, que identifica as hemoglobinas normais e grande parte das anormais.
As amostras que apresentaram suspeita de alterações nos testes de triagem foram submetidas aos testes confirmatórios que incluíram: Eletroforese pH ácido, para diferenciação migratória de Hb S, Hb D, Hb C e Hb E; Cromatografia líquida de alta performance – HPLC, com o sistema automatizado Variant (Bio-Rad), para identificação de Hb anormais e quantificação das diversas frações de Hb.
As amostras com perfis de Hb alterados nos testes de triagem e complementares foram submetidas à extração de DNA pelo método fenol-clorofórmio, com modificações.Para confirmação dos mutantes de globina utilizou-se amplificação dos alelos por PCR, análise por sonda oligonucleotídeo alelo específica (ASO) pelo Kit mDx (Bio-Rad Laboratories) e de fragmento de restrição (RFLP) após digestão com a enzima Dde I para Hb S, Bse RI para Hb C e Taq I para Hb Hasharon.
Foram analisadas no Hemocentro, no período de janeiro de 2002 a abril de 2003, 16 mil amostras de sangue de doadores, por procedimentos, que incluíram hematócrito e eletroforese em pH alcalino. Destas, 397 amostras de sangue apresentaram alteração de hemoglobinas no perfil eletroforético em pH alcalino. O valor médio dos hematócritos foi de 40%. Do total de 397 amostras avaliadas no LHGDH, 71,53% correspondiam ao perfil eletroforético similar a Hb S; 22,41% ao perfil semelhante à Hb C e 6,04 % com perfis variados, incluindo variantes de migração mais rápida que a Hb A em eletroforese pH alcalino, destacando-se que todas estavam em heterozigose.
Dentre as amostras que apresentaram perfil inicial de Hb AS (heterozigoto para Hb S) cujo laudo geralmente é emitido por este achado laboratorial, destacou-se a freqüência de 58,45% de Hb AS; 36,26% de Hb AS associada à alfa talassemia e 0,35% de Hb AS com persistência hereditária de Hb F. Foram observadas ainda neste grupo de "prováveis Hb AS", 2,82% de Hb AD Los Angeles associada à alfa talassemia; 0,35% de Hb A Korle – Bu e 1,05% de Hb A Hasharon


Trabalho “realizado no Laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas da Unesp em colaboração com o Hemocentro de São José do Rio Preto, SP.